O desafio para integrar os veículos autônomos à cidade


MIT e IME-USP validam conceito desenvolvido pela Questtonó

Comportamento
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por Lucas Alves, estrategista de conteúdo da Questtonó

A possibilidade de ler um livro, fazer uma reunião de trabalho ou até dormir dentro do carro enquanto o veículo autônomo faz todo o trabalho de dirigir é algo que encanta até os mais conservadores entre os motoristas. Mas talvez a maior mudança que essa inovação na mobilidade ainda vai promover está no impacto para a sociedade: a diminuição no número de acidentes e também a redução no trânsito, o que nos ajudará a reorganizar as cidades para que elas priorizem seus habitantes ao invés dos carros.

Enquanto especialistas em mobilidade buscam entender quando se tornará normal ver os carros sem motorista “dirigindo” pelas ruas, grandes montadoras e diversas iniciativas pelo mundo trabalham para realizar esse feito o quanto antes.

Mas há um consenso entre toda essa comunidade: tanto tecnologia quanto infraestrutura precisam evoluir. E, para isso, há um longo caminho a ser percorrido, desde a qualidade de sinalização das vias até a integração do sistema de GPS com a cidade. Para que o autônomo funcione com precisão, o carro precisa saber “conversar” com o seu entorno, e isso envolve pedestres, semáforos e também outros veículos, autônomos ou não.

Faixa exclusiva e comboio de veículos autônomos

Como forma de oferecer um caminho viável para essas soluções, a Questtonó desenvolveu o conceito das “Digital Rails”, que está sendo amplamente pesquisado desde 2017.

Trata-se de uma malha de vias exclusivas para carros autônomos, orquestrada virtualmente por um sistema aberto de dados. Essa plataforma coordena os veículos e semáforos inteligentes, e permite que autônomos e não autônomos possam andar lado a lado.

A partir do modelo criado pela Questtonó em 2017, pesquisadores do IME-USP (Instituto de Matemática e Estatística)  vêm estudando a viabilidade para a implementação desse conceito. Eles concluíram que, com as Digital Rails, o tempo para percorrer a Avenida Paulista de um lado até outro diminuiria drasticamente, chegando a quase um terço do tempo atual. E o mais impressionante: se todos os veículos fossem autônomos, apenas uma faixa exclusiva na Paulista daria conta de todo o fluxo de carros no horário de pico.

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A principal novidade deste conceito está nos comboios que se formam nas faixas exclusivas. O sistema calcula a rota mais rápida e determina o tempo e a velocidade certos para que os carros se “acoplem” ao comboio, o que permite uma grande otimização de espaço na faixa.

O sócio-diretor da Questtonó, Barão Di Sarno, explica o funcionamento do comboio: “Podemos definir uma velocidade constante para que o carro se desloque dentro do tempo entre os sinais ficarem vermelhos ou verdes. Assim criamos comboios que não param nunca. É como se fosse uma união entre transporte público e individual.”

Veja uma simulação de carros autônomos com Digital Rails na Avenida Paulista:

MIT, IME-USP e Questtonó estudam as Digital Rails

Agora em 2020, uma nova etapa para entender a implementação deste conceito entrou em jogo: pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) se uniram aos pesquisadores da USP para validar ainda mais as descobertas da etapa anterior, além de simular novos cenários para a  implementação das Digital Rails.

Eles concluíram que a transformação mais significativa que essa ideia propõe é a redução no trânsito, causada justamente pela formação de comboios. Segundo os pesquisadores, a criação de um sistema de dados que permita que os comboios trafeguem pela faixa exclusiva pode ser a principal peça que falta para uma melhora efetiva no trânsito.

O artigo acadêmico produzido pelos pesquisadores do MIT e IME-USP pode ser conferido no link.

É importante lembrar que, com o avanço da implementação dos carros autônomos, é preciso projetar soluções que permitam que tecnologias novas e antigas possam coexistir. A proposta das Digital Rails oferece uma solução de trânsito eficiente, segura e confortável.

Sendo assim. já é possível imaginar um futuro mais próximo em que, com a redução do trânsito nas vias, todo o valioso espaço liberado nas cidades pode ser dedicado a torná-las mais agradáveis e humanas.

Entenda o funcionamento das Digital Rails: