O que esperar da inovação em 2021?


As tendências que devem transformar os negócios e a sociedade

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Talvez, o maior aprendizado de 2020 tenha sido lidar com o inesperado. A pandemia de Covid-19 derrubou todas as nossas expectativas, jogou o mundo em crise e, com isso, pessoas e negócios tiveram de se adaptar rapidamente para sobreviver.

Mas ainda que não tenhamos nos desprendido desse cenário, o que será que 2021 nos aguarda? Os especialistas da Questtonó separaram 6 temas que achamos que você deve ficar de olho e que podem nortear as principais transformações nos negócios e na sociedade: são eles CX, XR, Marcas, Produtos, Design Gráfico e Cidades.

Essa análise busca trazer contexto e condensar informações relevantes a partir da nossa visão estratégica de design, a fim de te ajudar nos negócios, na vida e na carreira. Leia abaixo e descubra o que você pode esperar de inovação em 2021.

 

1 – O que esperar da inovação em 2021 em: CX

“Quero trazer três grandes movimentos para ficarmos de olho para falar de Customer Experience. O primeiro é que empresas de diferentes tamanhos e setores devem entender que é necessário cuidar das pessoas tanto no micro quanto no macro, tanto no digital quanto no real. A compreensão de CX restrita apenas à jornada digital das pessoas já não faz sentido, uma vez que as interações e o valor das empresas percebido pelas pessoas se dá de forma holística. O papel do CX é tão relevante para os negócios que, em breve, veremos um novo cargo na liderança das empresas: o CCX (Chief Customer Experience).

O segundo movimento é fruto direto dessa terrível experiência que temos passado, que é a pandemia. Mas como tudo na vida há dois lados, essa vivência também nos mostrou aquilo que realmente somos e o que deve ser valorizado por nós. Entendo que existirá um grande resgate de questões essenciais da vida, assim como uma supervalorização do bem estar e do cuidado com a saúde. Empresas que se relacionam com o morar, o turismo e o entretenimento sem dúvida têm grandes oportunidades de ressignificar experiências e reposicionar seus negócios.

O terceiro movimento é o uso da tecnologia XR (extended reality, que contempla as realidades virtual, aumentada e mista), que não apenas avança a passos largos, como também encontrou na pandemia uma forma de aceleração enorme pela sua adoção, embora ainda restrita a uma camada bastante específica dos negócios. Empresas de diferentes segmentos já encontram usos de muito valor para essa tecnologia, como treinamentos, turismo, projetos, games, e outras.”

Leonardo Massarelli, CCO da Questtonó

 

2 – O que esperar da inovação em 2021 em: XR

“Os lançamentos mais esperados deste ano e da década são os óculos de realidade aumentada das grandes empresas de tecnologia, que vão nos mostrar as bases para a construção desses produtos e orientar a criação de novos negócios.

Vem aí o Facebook Glass, que terá muitos sensores para captação de dados, com projeto desenvolvido pelo Facebook Aria; o Apple Glass, cujas informações captadas serão transmitidas diretamente para o iPhone do usuário; e o Echo Frames da Amazon, que não possui realidade aumentada, mas é como uma assistente virtual Alexa, só que em forma de óculos.

Primeiro, esses produtos nos lembram que XR não é somente sobre criar uma nova experiência, mas também tem a ver com captação de novos dados, como escaneamento de espaço, expressões faciais e até o movimento da íris do olho. Para desenvolver experiências realmente imersivas, é preciso contar com um alto processamento de hardware e captação de dados para a programação.

Mas o que já foi visto é que os antecessores no mercado, como Magic Leap e Hololens, tiveram problemas de acesso a esses produtos, que eram mais caros e pesados. Por isso, a estratégia de Facebook, Google, Amazon e Apple é primeiramente não entregar um produto 100% imersivo com altíssimo processamento, como fizeram os concorrentes, e sim lançar um produto que tenha uma experiência mais “simples”, mas com uma captação já efetiva.

As big techs aprenderam a partir dos erros dos concorrentes e vão viabilizar produtos simplificados agora, porque estão de olho na democratização da tecnologia e, principalmente, na mudança de cultura: educar os consumidores para que eles se adaptem e aceitem este novo tipo de comportamento o mais rápido possível. Assim, no futuro, devem adicionar experiências mais completas aos seus produtos. Portanto, não é exagero dizer que esses novos dispositivos irão determinar os novos negócios nas próximas décadas.”

Alina Samezima, Experience Designer

 

3 – O que esperar da inovação em 2021 em: Marcas

“O discurso de que marcas ajudam a moldar a cultura é uma realidade que já permeia os gestores, mas agora elas vão consolidar seu papel enquanto ecossistemas de valor, oferecendo um conjunto interconectado de serviços que permita que seus usuários tenham suas necessidades atendidas por meio de uma experiência mais integrada.

Esse é um pensamento indispensável para aqueles que entendem que marcas fortes têm um papel preponderante na construção de valor para os negócios, ajudando a gerar fluxos de caixa futuros, fidelizando a preferência do cliente e reduzindo a elasticidade de preço.

Essa consolidação reforça a tendência dos últimos anos de enxergar o marketing como um serviço, e não só uma ferramenta de vendas. Ao colocarem seus esforços para a geração de valor para as pessoas, indo além do ato de consumo em si, as marcas têm a condição de aumentar seu papel na rotina dos usuários, abrindo espaço para novos relacionamentos, além de aprofundar aqueles já existentes.”

Gustavo Rosa Silva, diretor de Pesquisa & Estratégia

 

4 – O que esperar da inovação em 2021 em: Produtos

“2021 seguirá sendo um ano de transição por conta da Covid-19, e as principais ações estarão voltadas aos resultados imediatos, o que significa que veremos projetos de rápida implementação e retorno.

O impacto da mudança na nossa relação com os espaços como casa, escritório e escola, que foi forçada em um primeiro momento, agora vai influenciar de forma planejada os produtos que usamos e as experiências que vivemos nesses lugares. Isso abre espaços para que mais produtos smart, de uso em diferentes aplicações (casa e escola, trabalho e lazer), e com tecnologias digitais embarcadas (novas interfaces, IoT, AR) apareçam no mercado. Produtos para as áreas médica e de saúde, bem como educação e home office, devem ser os catalisadores das inovações em 2021.

O consumo e a produção local darão o tom durante essa transição, e isso gera oportunidades para desenhar produtos mais regionais, tanto na sua identidade estética como nas características de tecnologias produtivas dominadas regionalmente, o que também permite maior identificação com os produtos por parte dos consumidores.

A aceleração da digitalização que a pandemia forçou também intensifica a automação no setor logístico e produtivo, o que já vinha acontecendo em velocidade moderada e deve trazer boas oportunidades nas áreas de logística e agrotech. Em um recorte local, o Brasil tem um cenário com forte atuação no agronegócio, sendo uma região propícia para o lançamento de produtos voltados à automação da produção, com inovações que aproveitam melhor os recursos e diminuem os níveis de agrotóxicos com mais eficiência no cultivo. Também existe espaço para uma melhora no uso de tecnologia pelo pequeno agricultor, com mais capacidade de atender as demandas regionais pela produção de alimentos.

Ainda, esse deve ser o ano da consolidação da economia circular, muito abordada nos últimos tempos e que deve impactar os projetos de novos produtos a partir do nascimento da ideia. Certamente, mudaremos a forma de pensar em produtos por uma necessidade urgente de consumo consciente e diminuição do uso dos recursos naturais.”

Walmor de Paula, Head de Industrial Design

 

5 – O que esperar da inovação em 2021 em: Design Gráfico

“Em 2021, a tipografia de uma marca deve ser proprietária também na maneira de se comportar em relação a tamanhos, cores, movimentos e espacialidade. Existe um universo bastante rico ainda esperando para ser explorado pelo design, especialmente quando falamos de XR (extended reality).

Em seguida, reforço a ideia do “menos é mais”: soluções para os excessos é algo que sempre esteve no escopo do design, e há um grande movimento na direção de diminuir o impacto ambiental através de soluções simples, como embalagens sem rótulos e retornáveis, diminuição na quantidade de cores usadas na produção gráfica e tintas biodegradáveis.

Também podemos retomar o conceito de biomimética: o design inspirado na natureza é um movimento que ganha cada vez mais espaço, e a biomimética (cuja tradução literal seria “imitar a vida”) é uma ciência que estuda os modelos da natureza e depois os copia, ou usa de inspiração.

Por último, quero dividir o que espero das ilustrações. De personagens proprietários a abstrações tridimensionais, as ilustrações devem permitir uma grande variedade de construções e interações, que enriquecem o design com movimento, ludicidade e impacto.

Thiago Marques, Head de Visual Design

 

6 – O que esperar da inovação em 2021 em: Cidades

“Enquanto vemos um novo boom de lançamentos de empreendimentos imobiliários residenciais, muitos estabelecimentos comerciais estão vazios. A lógica de espaços na cidade exclusivos para a experiência de trabalhar parece estar sendo colocada à prova. Ao mesmo tempo, os bairros residenciais precisam dar conta da demanda por serviços que supram a necessidade das pessoas que estão trabalhando de suas casas.

A tendência da “vida em bairro” pode ser benéfica para as cidades, pois favorece a promoção de zonas mistas, locais onde possam coexistir oportunidades de lazer, moradia e trabalho e que a maioria dos urbanistas já dizem há décadas. Desde os anos 60, fala-se da ideia de uma “cidade de 15 minutos”, que é aquela onde o acesso a bens e serviços está a menos de 15 minutos de cada residência. Esse tipo de cidade proporciona qualidade de vida para seus moradores e reduz significativamente o custo de infraestrutura, pois diminui os grandes deslocamentos.

Tudo indica que uma porcentagem significativa dos trabalhadores que fizeram home office durante a quarentena seguirão em trabalho remoto após a pandemia. Sem a necessidade de um deslocamento diário entre bairros para trabalhar, é possível que a posse de um carro não se justifique mais e que haja um aumento dos deslocamentos mais concentrados nas proximidades de casa. Este fato já tem contribuído, por exemplo, para um aumento de vendas de bicicletas durante o período da pandemia. Outro fator que contribui para a valorização da micromobilidade nesse período é a vantagem de quem pode se deslocar ao ar livre, o que acaba sendo mais seguro para evitar as aglomerações no transporte coletivo.

Mobilidade ativa, menos tempo dentro de veículos fechados, mais oportunidades perto de casa. Se esta tendência se consolidar, nossas cidades se tornarão mais agradáveis, inteligentes e sustentáveis.”

Barão Di Sarno, futurista e sócio-fundador da Questtonó